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CRÔNICA

Quando ouviu Ramiro dizer a um amigo que era feia e burra, pensou que fosse morrer. Então a feiúra era mais do que um segredo entre ela e o espelho e a timidez se chamava burrice. Feia e burra! A dor insuportável fez com que se rompessem as comportas da amargura represada dentro dela. Depois disso, não havia nada a perder. Cortou o cabelo bem curto, pintou metade de louro, metade de vermelho, comprou roupas extravagantes, frequentou inferninhos e cheirou sua primeira carreira de pó.

Quando, anos depois, Ramiro disse que ela era linda e a amava, já tinha esquecido as palavras que um dia ouvira. Lembrava-se apenas de ter estado apaixonada por ele, o que a fez sorrir. Tinha sido uma adolescente ingênua e tola. O sorriso, Ramiro tomou por um sim, o sim que ela disse logo depois, pensando no carro, no apartamento e nas roupas que ele, tão rico, poderia lhe dar.

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Author Miriam Mambrini

Miriam Mambrini é carioca e formada em Letras. Seu primeiro livro de contos, O Baile Das Feias, foi publicado em 1994. Nesse livro e no que se seguiu, Grandes Peixes Vorazes, incluiu contos premiados em vários concursos. Escreveu os romances A Outra Metade, atualmente em segunda edição, As Pedras Não Morrem E O Crime Mais Cruel, os dois últimos adquiridos pelo PNDE do Ministério da Educação. As crônicas de Maria Quitéria, 32 falam de sua vida de menina em Ipanema, o bairro onde nasceu e sempre viveu. Publicou ainda, em livro e audiolivro, Vícios Ocultos, contos, e Ninguém É Feliz No Paraíso, romance. Seus contos foram incluídos em várias antologias, entre as quais 30 Mulheres Que Estão Fazendo A Literatura Brasileira Hoje, seleção de Luiz Ruffato (Record) e Contos De Escritoras Brasileiras (Martins Fontes). Faz parte do grupo Estilingues, que publica antologias de contos fora do circuito comercial. Colaborou, com contos e artigos, em jornais e revistas, nacionais e estrangeiras, entre as quais a italiana Sagarana, a inglesa Litro, a espanhola 2384 e a brasileira Pessoa.

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